Estudo complementar à Lição 6 (08/11/2026) – Lições Bíblicas Adultos, CPAD, 4º trimestre de 2026
Deuteronômio 7 responde a duas perguntas que todo crente faz: por que Deus me escolheu, e o que Ele espera de mim? A resposta do texto é simples e profunda: Deus escolheu por amor, e quem foi escolhido é chamado a ser santo.
A revista relaciona eleição, santidade e propósito na aliança. Este estudo complementar mostra que a eleição é pura graça, explica a palavra hebraica segullah, apresenta a eleição como missão, trata do tema na visão pentecostal e oferece uma explicação responsável para a ordem de destruir os povos de Canã.
Observação: o sumário da revista chama esta lição de “A Aliança e as Bênçãos da Obediência”. O conteúdo, porém, trata de Deuteronômio 7, sobre eleição e santidade, e este estudo segue o conteúdo.
1. Escolhidos pela graça, e não pelo mérito
Moisés tira qualquer motivo de orgulho de Israel: “O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos” (Dt 7.7).
O motivo da escolha está no próprio Deus: “porque o Senhor vos amava e, para guardar o juramento que jurara a vossos pais” (Dt 7.8). Deus amou porque amou.
Três coisas que não explicam a eleição
| Não foi por… | Texto |
|---|---|
| Tamanho ou força | “Éreis menos em número” (Dt 7.7) |
| Justiça própria | “Não por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração” (Dt 9.5) |
| Bom comportamento | “Povo obstinado és” (Dt 9.6) |
O mesmo vale para a igreja: “Não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos” (1Co 1.26-29). A eleição destrói o orgulho e produz gratidão.
2. Segullah: o tesouro particular de Deus
No texto áureo, Israel é chamado “povo próprio” (Dt 7.6). A palavra hebraica é segullah, que indica um tesouro pessoal, guardado à parte. Fora do contexto religioso, ela descreve o tesouro particular de um rei (1Cr 29.3; Ec 2.8).
A ideia é a de alguém que tem muitos bens, mas guarda um com carinho especial. Deus é dono de toda a terra (Êx 19.5), e mesmo assim chama o seu povo de propriedade particular.
A mesma linguagem para a igreja
- “Sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos” (Êx 19.5).
- “Eles serão meus […] naquele dia que farei, serão para mim particular tesouro” (Ml 3.17).
- “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” (1Pe 2.9).
- Cristo “se deu a si mesmo por nós […] para purificar para si um povo seu especial” (Tt 2.14).
Aplicação: num tempo de baixa autoestima e busca de aprovação, o crente precisa ouvir que é o tesouro de Deus. Esse valor não vem do que fazemos, mas de quem nos escolheu.
3. Eleitos para uma missão
A eleição de Israel nunca foi um privilégio fechado em si mesmo. Desde Abraão, o propósito era abençoar as nações: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3).
Israel deveria ser:
- Um povo sacerdotal, mediando o conhecimento de Deus aos povos (Êx 19.6).
- Uma vitrine da sabedoria de Deus, pela obediência à Lei (Dt 4.6-8).
- Luz para os gentios, até os confins da terra (Is 42.6; 49.6).
Quando Israel tratou a eleição como favoritismo, os profetas o corrigiram (Am 3.2; Jn 4). A igreja herdou essa missão: somos povo adquirido “para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou” (1Pe 2.9). Fomos escolhidos para servir, e não para nos isolar.
4. A eleição na visão arminiana e pentecostal
O tema da eleição costuma gerar dúvidas na classe. As Assembleias de Deus seguem a linha arminiana, que equilibra a soberania de Deus e a responsabilidade humana.
| Ponto | Como a doutrina pentecostal entende |
|---|---|
| Quem Deus elegeu | Elegeu um povo em Cristo; quem está em Cristo participa da eleição (Ef 1.4) |
| A presciência | Deus elege segundo a sua presciência (1Pe 1.2; Rm 8.29) |
| A graça | A graça alcança todos e capacita o homem a responder (Tt 2.11; Jo 12.32) |
| A perseverança | A permanência na eleição depende de permanecer na fé (2Pe 1.10; Cl 1.23) |
Deuteronômio 7 confirma esse equilíbrio. A eleição vem do amor de Deus (Dt 7.8), mas a aliança exige resposta: Deus “guarda o concerto e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Dt 7.9). Ao mesmo tempo, “dá o pago em sua face a qualquer dos que o aborrecem” (Dt 7.10).
Cuidado pastoral: o objetivo não é transformar a aula em debate teológico, e sim levar o aluno à gratidão e à fidelidade.
5. O chérem e a conquista de Canã: como explicar
Deuteronômio 7.2 ordena: “totalmente as destruirás”. A palavra hebraica é chérem, que significa consagrar algo a Deus de forma total, retirando-o do uso humano, muitas vezes pela destruição. É um dos textos que mais geram perguntas, dentro e fora da igreja. O professor deve tratá-lo com seriedade.
Cinco chaves de leitura
- Foi um juízo, não uma guerra étnica. Deus esperou mais de quatro séculos, “porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia” (Gn 15.16). As práticas desses povos incluíam queimar filhos em sacrifício (Dt 12.31; 18.9-12).
- Israel não era melhor. O mesmo juízo cairia sobre Israel se praticasse as mesmas coisas, e isso aconteceu no exílio (Dt 8.19-20; 9.4-5).
- Havia lugar para quem se rendia a Deus. Raabe, uma cananéia, foi poupada e entrou na genealogia de Jesus (Js 6.25; Mt 1.5). Os gibeonitas também foram preservados (Js 9).
- Era uma ordem única, para um momento único. Valia para a conquista da terra, no contexto da teocracia. Não é um modelo para guerras religiosas.
- Na Nova Aliança, a guerra é espiritual. “O meu Reino não é deste mundo” (Jo 18.36); “não temos que lutar contra carne e sangue” (Ef 6.12).
O princípio que permanece
O alvo do chérem era proteger Israel da idolatria: “pois fariam desviar teus filhos de mim” (Dt 7.4). Hoje, o crente aplica esse princípio a si mesmo, eliminando sem concessões o que o afasta de Deus (Mt 5.29-30; Cl 3.5).
6. Santidade: separados do mal, presentes no mundo
A palavra hebraica para santo, qadosh, tem a ideia de separado, posto à parte para Deus. Israel era “povo santo” não porque fosse perfeito, mas porque pertencia ao Senhor (Dt 7.6). Dessa posição nascia o dever de viver de modo diferente.
As três separações de Deuteronômio 7
| Ordem | Texto | Aplicação cristã |
|---|---|---|
| Não fazer aliança com os povos idólatras | Dt 7.2 | Não se prender a compromissos que comprometam a fé (2Co 6.14) |
| Não se casar com eles | Dt 7.3-4 | O casamento “somente no Senhor” (1Co 7.39) |
| Destruir os altares e ídolos | Dt 7.5,25-26 | Romper com objetos, práticas e hábitos ligados ao pecado (At 19.18-19) |
Separação não é isolamento
Jesus orou: “Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (Jo 17.15). A santidade cristã não nos afasta das pessoas; afasta-nos do pecado. Jesus comia com pecadores sem pecar com eles (Lc 15.1-2).
O equilíbrio é delicado. O isolamento torna a igreja irrelevante; a mistura a torna idêntica ao mundo. A igreja é chamada a ser sal e luz, presente e diferente (Mt 5.13-16).
Para a sala de aula
Perguntas para discussão
- Por que é importante saber que Deus nos escolheu por amor, e não por mérito?
- O que muda na sua vida saber que você é o “tesouro particular” de Deus?
- Como evitar que a eleição vire orgulho espiritual ou desprezo pelos que estão fora da igreja?
- Que “alianças” ou “altares” o cristão precisa romper hoje para viver em santidade?
- Onde está o equilíbrio entre estar separado do mundo e presente no mundo?
Dinâmica: “Sal e luz”
- Material: um copo com água, sal e uma lanterna (ou a luz do celular).
- Como fazer: mostre o sal no saleiro e pergunte se ele está temperando algo. Depois, dissolva-o na água e pergunte se ainda dá para distingui-lo. Por fim, acenda a lanterna dentro de uma gaveta ou caixa fechada.
- Fechamento: o sal precisa de contato, mas sem perder o sabor; a luz precisa estar exposta, mas sem se apagar. Leia Mateus 5.13-16 e Deuteronômio 7.6.
- Tempo: cerca de 8 minutos.
Conclusão
Deuteronômio 7 apresenta a eleição como um ato de amor imerecido e a santidade como a resposta natural de quem foi escolhido. Israel não foi eleito por ser grande, justo ou obediente, mas porque Deus o amou e cumpriu o juramento feito aos patriarcas.
A igreja vive a mesma realidade em Cristo: somos tesouro de Deus, chamados para uma missão e separados do mal para pertencer ao Senhor. Que essa verdade gere em nós gratidão, humildade e uma vida santa diante do mundo.
“Porque povo santo és ao Senhor, teu Deus; o Senhor, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há.” (Dt 7.6)
Referências sugeridas: Bíblia de Estudo Pentecostal – Edição Global (CPAD); Lições Bíblicas Adultos, 4T26 (CPAD); Declaração de Fé das Assembleias de Deus (CPAD).





